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IMPRENSA

Um voto pela democracia

Um voto pela democracia

05.02.2026

A democracia é, paradoxalmente, o único sistema político que pode ser destruído a partir do seu interior. Por norma, não cai de forma súbita e com grandes aparatos, mas através de um processo lento, quase impercetível, de erosão contínua. A história demonstra que as democracias se perdem quando se normaliza o discurso autoritário, quando se relativizam ataques às instituições, quando a mentira passa a ser aceite como método político legítimo e o medo como ferramenta eficaz de mobilização. É nesse terreno que a democracia começa a falhar, dia a dia, passo a passo.

Quando a democracia falha, o preço é sempre demasiado elevado. Paga-se em liberdades individuais restringidas, em direitos fundamentais fragilizados e em cidadãos reduzidos à condição de espetadores, afastados das decisões que moldam o seu futuro coletivo e à mercê da vontade de quem decide. O enfraquecimento da democracia nunca é abstrato: tem consequências reais na vida das pessoas.

No próximo dia 8 de fevereiro, os portugueses serão chamados a fazer uma escolha que não é indiferente nem trivial - como nunca é, em democracia. Está em causa optar entre um Presidente da República comprometido com a democracia constitucional, com o respeito pelas instituições e pelo equilíbrio de poderes, e um Presidente que a destrata, a corrói e a instrumentaliza para fins próprios. Não se trata apenas de personalidades ou estilos políticos; trata-se de conceções opostas do regime democrático e do papel do Estado de Direito.

A ideia de que “todos são iguais” ou de que “a política não interessa” é um luxo que apenas existe enquanto a democracia funciona plenamente. Em momentos como este, não há terreno neutro nem abrigo confortável para a indiferença. O desinteresse é, muitas vezes, o melhor aliado dos que pretendem enfraquecer o regime.

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