
12.02.2026
A eleição de António José Seguro para a Presidência da República deve ser jubilosamente festejada e ponderadamente analisada. As razões para o júbilo são óbvias: o país elegeu para a chefia do Estado um cidadão exemplar do ponto de vista cívico, um político comprometido com a afirmação dos princípios demoliberais, um combatente pelas causas identificadas com a grande tradição do socialismo democrático. Os motivos para a ponderação são igualmente pertinentes: a esquerda permanece claramente minoritária e um candidato de extrema-direita obteve uma votação não negligenciável.
António José Seguro revelou neste processo eleitoral qualidades políticas raras que serão de grande utilidade nacional nos anos que se avizinham. Pensa e age com uma serenidade firme e impermeável a exaltações emocionais momentâneas, dispõe de um fio condutor que garante previsibilidade e coerência, tem coragem e sabe usá-la nas horas decisivas, cultiva a educação democrática e valoriza o pluralismo das opiniões e a fecundidade das discussões. Tem todas as condições para vir a ser um bom Presidente da República.
Com esta eleição o país não entrou num novo ciclo político pela razão simples de que não há expectativa de eleições legislativas a curto prazo e continuaremos a ter uma representação parlamentar fraccionada entre a esquerda, a direita democrática e a extrema-direita. O Presidente eleito teve o cuidado de afirmar no discurso da vitória três coisas relevantes: a maioria presidencial dissolveu-se no próprio momento da sua consumação, actuará com exigência dentro dos limites que a Constituição prescreve, não será um factor de instabilidade institucional. Foi claro e incisivo.
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