
22.05.2026
Há uma patologia crescente no discurso de uma certa direita portuguesa — do atual PSD ao Chega, passando pela Iniciativa Liberal — que merece ser nomeada com clareza: a transformação do Partido Socialista no bode expiatório de todos os males nacionais. Um exercício de diabolização sistemática que não só empobrece o debate democrático como apaga, com flagrante desonestidade intelectual, décadas de história partilhada e de conquistas que definiram o Portugal moderno.
Comecemos pelos factos. Em Portugal, desde abril de 1974, e na Europa, desde o início da Revolução Industrial, os socialistas estiveram na linha da frente das transformações que mudaram para melhor a vida concreta de milhões de pessoas.
Foi com governos socialistas que se criou e consolidou o Serviço Nacional de Saúde, que se universalizou o acesso à educação pública, que se construiu uma rede de proteção social capaz de amparar os mais vulneráveis, que se projetou a investigação e o ensino superior no país. Foi o PS que, nos anos mais difíceis da consolidação democrática, soube equilibrar a radicalidade revolucionária com a estabilidade institucional de que o país carecia, fruto da visão esclarecida de Mário Soares e de outros democratas moderados que corajosamente resistiram ao ruído e aos excessos da época.
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