
22.05.2026
Uma democracia madura não pode viver refém da espetacularização da justiça. Não pode aceitar que investigações destruam reputações durante anos sem acusação, porque a reputação não se absolve.
A justiça devia ser o lugar da serenidade. O último reduto da prudência num país cada vez mais dominado pela vertigem do imediato. Em Portugal, há muito que deixou de o ser. Há vinte e três anos, o país acordou em choque perante a decapitação pública de um partido político. O processo Casa Pia deveria ter servido de lição definitiva para todos nós. Transformou suspeitas em sentenças sociais, manchetes em condenações morais, e vidas inteiras foram esmagadas no espaço público e pela histeria mediática antes de qualquer decisão definitiva dos tribunais. O dano ficou. Irreversível. Mesmo para quem nunca foi condenado pelos tribunais.
E o país nada aprendeu.
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