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IMPRENSA

Entre o pragmatismo e a aspiração

Entre o pragmatismo e a aspiração

15.03.2026

Uma coisa é reconhecer que o mundo mudou. Outra, bem diferente, é resignarmo-nos às mudanças que nos querem impor. A primeira significa reconhecer que a água do banho está suja. A segunda implica atirar fora o bebé juntamente com a água.

A discussão em torno do Irão é reveladora do tempo em que vivemos e do modo como a polarização domina o espaço público. Não há lugar a meio termo. Boa parte do raciocínio dos que defendem a legitimidade do ataque dos EUA e de Israel ao Irão assenta em dois argumentos. Primeiro, o regime de Teerão viola os Direitos Humanos, oprime brutalmente o seu povo, é há anos fator de instabilidade regional e promotor do terrorismo internacional. Segundo, não se pode permitir que o Irão atinja o estatuto de potência nuclear. Reconhecer estas premissas não devia necessariamente impedir de reconhecer outras, igualmente válidas, que não as contrariam: o ataque dos EUA e de Israel viola o Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas e dificilmente contribuirá para a estabilização regional e para a implementação da democracia no Irão. Não há um único exemplo bem-sucedido de exportação da democracia por via de mísseis e bombardeamentos.

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