
05.11.2025
Quando, na terceira década deste século, há quem, novamente, se esforce para diabolizar os partidos políticos para, em troca, oferecer uma mão cheia de nada; quando a direita é poder nas duas regiões autónomas, na República, e a sua família política é maioritária na Comissão Europeia e no Conselho Europeu, e, ainda assim, um conjunto de forças partidárias só justifica a sua união - e, em alguns casos, a sua própria existência - em função de serem anti PS; quando, aqui e ali, ecoam posições primárias perigosas para a democracia tal qual a conhecemos; quando, mais importante do que causas e princípios, subsiste um projeto de poder pelo poder, assente numa manta de retalhos que tudo aceita e tudo colhe em nome da sua própria sobrevivência; quando a pretensa defesa da liberdade de expressão é fundamento para abrir as comportas ao discurso de ódio, à xenofobia e ao racismo; quando a desigualdade cresce e arrisca matar o mérito e o elevador social parece avariado e sem conserto; quando há um manto de silêncio cúmplice perante as tentativas de reescrever a História; quando se confunde a ideia de um Estado Social, capaz de redistribuir e de nivelar a igualdade de oportunidades, com um Estado administrativa e fiscalmente sufocante; quando é essencial reconhecer com humildade os erros e omissões do passado para recuperar, no presente e para o futuro, a confiança daqueles que a perderam; quando é essencial ter coragem para reinventar, refazer, repensar e reerguer, fazendo o melhor que pudermos com aquilo que temos porque de outra forma seria uma traição ao nosso modo coletivo de ser e de estar… que não haja dúvidas: os Socialistas não só continuam a fazer falta, como são indispensáveis para travar, uma vez mais, o combate por um País tolerante, socialmente mais justo e humanista que ambiciona avançar sem deixar ninguém para trás.
A falsa liberdade e a política de distração
Enquanto o país discute burcas que praticamente ninguém usa, há centenas de trabalhadores portugueses da Base das Lajes que não recebem salário. Esta é a verdadeira obscenidade. A política das manchetes fáceis substitui-se ao dever de resolver problemas reais. A extrema-direita lança o tema, o PSD segue, e Portugal perde-se em debates importados que nada dizem à vida das pessoas. Não é a liberdade das mulheres que está em causa, é a tentativa de instrumentalizá-la para semear divisão e medo. Liberdade não se impõe, respeita-se. Garantir direitos e proteger vidas é trabalho sério, não espetáculo. A democracia precisa de firmeza, não de pânico moral.
Chega de barulho
O discurso do ódio não se banaliza sozinho. Precisa de megafone. E ele tem-no encontrado, nas televisões, nas redes sociais, na política-tweet. A resposta não está em indignações pontuais, mas em política com resultados, com seriedade e com decência. O PS tem esse dever, ser o espaço firme e responsável que não confunde firmeza com gritaria, nem governação com ruído.
O imperativo da decência
Num tempo de gritaria, António José Seguro representa o contrário, a política que fala baixo e trabalha alto. Em eleições presidenciais, escolhem-se valores, caráter e visão. Precisamos de alguém que una o país, não que o divida em cliques e raivas. Alguém que respeite a democracia e quem discorda. Alguém que não se deslumbre com o palco, que seja coerente e não um catavento mediático. Vivemos um momento definidor e de contrastes, entre o País que somos e aquele que ambicionamos ser, entre uma visão maniqueísta cujo sucesso depende do entrincheiramento político e uma visão humanista, solidária, em suma, de um País decente e comprometido com os ideais democráticos. Neste combate, não há lugar a tacticismos ou a silêncios temerosos. Pelo menos por estas razões, apoio António José Seguro à Presidência da República.
Ver artigo completo aqui.