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IMPRENSA

A vitória dos autarcas socialistas

A vitória dos autarcas socialistas

15.10.2025

O resultado eleitoral não traduziu uma vitória para o Partido Socialista, que não conseguiu alcançar os seus principais objetivos: aumentar o número de presidências de câmara e de freguesia — assegurando as presidências da ANMP e da ANAFRE —, conquistar mais votos e vencer nas principais autarquias do país.

Ainda assim, os resultados ficaram longe dos cenários mais catastrofistas que, após a pesada derrota nas legislativas, muitos antecipavam para o PS. Pelo contrário, o que as urnas demonstraram com clareza é que o Partido Socialista continua a ser uma força política robusta e central no panorama nacional.

É inegável que o PSD foi o claro vencedor destas eleições, tanto pelo número de câmaras e freguesias conquistadas como pelo peso simbólico de manter Lisboa e conquistar o Porto, Sintra e Gaia — o segundo e o terceiro maiores municípios do país. Ainda assim, o resultado do PS não nos deve fazer desanimar.

As listas lideradas pelo Partido Socialista obtiveram mais de 1.850.000 votos — praticamente o mesmo número de há quatro anos — e conquistaram 127 câmaras, entre as quais importantes vitórias em capitais de distrito como Faro, Évora, Coimbra, Viseu e Bragança.

Reconheço, no entanto, que esta estabilidade no número de votos pode ser lida de forma menos positiva: o PS não conseguiu captar parte dos 500 mil novos eleitores que participaram nestas eleições. Mas importa lembrar que, apesar de um resultado aquém das suas próprias expectativas, o Chega foi o principal beneficiário desse acréscimo de participação, somando mais 440 mil votos do que em 2021 e absorvendo a maioria desses novos eleitores.

Convém também sublinhar que, nestas autárquicas, o PS obteve mais 400 mil votos do que nas legislativas, passando de 22,8% para 33,6% da votação nacional. Contudo, as sondagens mostram que, a nível nacional, o partido ainda não consegue descolar de forma consistente, mantendo-se próximo dos valores das legislativas.

A que se deve, então, este resultado autárquico? Ao excelente trabalho desenvolvido pelos nossos autarcas e candidatos no terreno — não apenas durante a campanha, mas ao longo de todo o mandato. Foram próximos das pessoas, ouviram os seus problemas, falaram olhos nos olhos, mostraram interesse genuíno e vontade de resolver as questões. Por isso, embora estas eleições representem uma derrota para o Partido Socialista, foram simultaneamente uma vitória para os autarcas socialistas.

Deste resultado deve emergir uma lição essencial para o nosso trabalho a nível nacional: não é fechados em gabinetes ou multiplicando reuniões com dirigentes e militantes que reconquistaremos a confiança dos portugueses. Chega de pregar aos convencidos!

Precisamos de sair à rua, falar com as pessoas comuns, escutá-las com atenção e mostrar que nos importamos com os seus problemas. A partir desse diálogo, devemos construir propostas que respondam às suas preocupações, numa linguagem clara e próxima, que una em vez de afastar.

Foi com essa atitude que, no Algarve, os nossos autarcas e candidatos contrariaram a ideia de um “bastião do Chega”, vencendo em 11 das 16 câmaras do distrito, incluindo a capital, Faro.

É esse trabalho, essa forma de estar e de fazer política, que temos de replicar em todo o país, para que o Partido Socialista volte a ser o maior partido de Portugal. Não porque desejemos o poder pelo poder, mas porque acreditamos que somos quem tem as melhores propostas e está mais bem preparado para melhorar a vida dos portugueses.

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